Matar o mensageiro é a solução?

Matar o mensageiro é a solução?

Por Priscilla Lunardelli, 2ª Vice-presidente do Sintergs

Quando faltam servidores para manter a cultura do RS, a solução encontrada pelo Governo parece simples e, claro, eficiente: demite-se o presidente da Fundação Theatro São Pedro. Afinal, quando a realidade insiste em aparecer, nada como culpar quem a anuncia.

A queda de Antônio Hohlfeldt, após alertar publicamente para a impossibilidade de manter os espetáculos do Multipalco em 2026 por falta de pessoal, revela mais do que desgaste político. Mostra a recusa do Governo em enfrentar o óbvio que tem sido repetido pelo Sintergs, pelos aprovados em concurso e até pelo Ministério Público de Contas.

Temos apontado a solução concreta, viável e juridicamente respaldada que é nomear os aprovados no concurso da SPGG para suprir o déficit na Cultura. Recentemente, fizemos o mesmo quando o Piratini resolveu contratar servidores temporários e foi obrigado pela Justiça a nomear aprovados em concurso. A sugestão para o déficit na Cultura foi levada ao Chefe da Casa Civil, ao Secretário da Cultura, à SPGG e ao MPC.

Enquanto isso, a estrutura do Theatro São Pedro triplicou de tamanho. Porém, o quadro funcional é incapaz de sustentar a grandeza de um empreendimento cultural que o próprio Estado inaugurou. Chamar quem já passou por concurso público, algo tão óbvio, segue sendo tratado quase como heresia administrativa. É incompreensível.

O Sintergs apresentou estudo técnico demonstrando que há 1.495 vagas abertas e denunciou, inclusive judicialmente, a preterição ilegal. O MPC já emitiu cautelar exigindo prioridade aos concursados. Mas, diante do vazio de ação, o Piratini preferiu trocar o mensageiro ao invés de enfrentar o problema, como gosta de cantar em prosa e verso.

A cultura gaúcha não pode se sustentar com arranjos improvisados. Se o Estado quer manter o Theatro São Pedro vivo precisa de servidores estáveis, preparados e concursados. Não há solução mais simples, mais barata e mais correta.

Ignorá-la não torna o problema menor. Apenas nos obriga a repetir o que o Governo insiste em não ouvir.

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