Sintergs alerta para riscos da terceirização na regulação de leitos após aprovação de projeto do governo Eduardo Leite

Sintergs alerta para riscos da terceirização na regulação de leitos após aprovação de projeto do governo Eduardo Leite

A aprovação do projeto que amplia a terceirização de serviços públicos no Rio Grande do Sul acendeu o alerta no Sintergs. O texto, aprovado nesta terça-feira (09/12) na Assembleia Legislativa por 35 votos a 10, permite que organizações sociais passem a administrar serviços em até 15 áreas do Estado, entre elas saúde, educação, assistência social, agricultura e cultura.

Para o Sintergs, a medida representa fragilização do serviço público, especialmente em setores estratégicos como a regulação de leitos hospitalares, vinculada à Secretaria Estadual da Saúde.

A regulação de leitos é o mecanismo responsável por organizar a ocupação hospitalar no estado, definindo para onde serão encaminhados pacientes conforme gravidade, disponibilidade e necessidade clínica. É esse sistema que garante fluxo ordenado entre unidades, evitando superlotação e assegurando atendimento adequado.

Com o avanço da terceirização, o Sintergs alerta para o risco de que o serviço passe a ser executado por trabalhadores sem formação específica e sem conhecimento dos protocolos internos do Sistema Único de Saúde (SUS), o que pode gerar atrasos, erros de encaminhamento e queda na qualidade do atendimento.

Além disso, a remuneração mais baixa praticada por empresas terceirizadas costuma resultar em alta rotatividade, comprometendo ainda mais a continuidade e a eficiência do trabalho.

“Estamos diante de um projeto que entrega áreas essenciais do Estado para organizações privadas que não necessariamente são qualificadas para tal, colocando em risco a qualidade da saúde pública, especialmente na regulação de leitos, que exige qualificação técnica e experiência. O resultado tende a ser um serviço precarizado, com trabalhadores menos preparados e maior rotatividade”, alerta a Diretora do Sintergs, Ana Lúcia Touguinha Weidle.

Segundo ela, a decisão abre caminho para perda de expertise acumulada historicamente pelos servidores, afetando diretamente a população que depende do sistema público.

Para o Sintergs, ao substituir servidores públicos de carreira e qualificados por contratos de gestão privada, o Governo abre espaço para descontinuidade de políticas públicas e enfraquecimento do SUS estadual.

O Sindicato reforça que seguirá monitorando os desdobramentos e atuando para defender um modelo de saúde que priorize o interesse público e a valorização dos profissionais que garantem a estrutura e o funcionamento do sistema.

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