Saúde Mental: falta de valorização, assédio e estrutura precária levam servidores ao adoecimento psíquico, uso excessivo de medicação e abandono da carreira, denuncia Sintergs na ALRS

Saúde Mental: falta de valorização, assédio e estrutura precária levam servidores ao adoecimento psíquico, uso excessivo de medicação e abandono da carreira, denuncia Sintergs na ALRS

A falta de valorização profissional, o assédio, a sobrecarga de trabalho e a estrutura precária têm levado servidores estaduais ao adoecimento psíquico, ao uso excessivo de medicação e até ao abandono da carreira pública. O alerta foi feito pelo Sintergs durante audiências públicas realizadas pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

A entidade se fez presente nas três audiências públicas promovidas pela Comissão Especial para Tratar da Saúde Mental: em Pelotas, Lajeado e em Porto Alegre, na sede do Parlamento gaúcho, ampliando o debate sobre o adoecimento dos trabalhadores do serviço público em diferentes regiões do Estado.

Na segunda-feira (02/03), à noite, no Plenarinho da ALRS, o encontro da Comissão Especial para Tratar da Saúde Mental, presidida pelo deputado Halley Lino, reuniu especialistas, parlamentares, trabalhadores e representantes sindicais para discutir os desafios contemporâneos da política de saúde mental no Estado.

Ao abrir os trabalhos, o parlamentar destacou que o cenário atual exige revisão e fortalecimento da legislação. Ele lembrou o aumento dos afastamentos por transtornos mentais e defendeu maior investimento público na área.

“A Reforma Psiquiátrica foi pioneira e transformadora, mas precisamos atualizá-la diante das novas demandas sociais e do agravamento do sofrimento psíquico”, afirmou.

O Sintergs participou da audiência na Capital com as diretoras Ana Lúcia Touguinha Weidle e Márcia Werklehr Paganato Lopes. Em Lajeado, a entidade esteve representada pela servidora Martha Inês Grillo. Já em Pelotas, a participação ocorreu durante audiência pública sediada na Câmara Municipal, na tarde de sexta-feira (27/02), integrando o cronograma de debates regionais promovidos pela comissão estadual.

Na Capital, na última segunda-feira (02/03), a diretora do Sintergs, Ana Lúcia Touguinha Weidle, ressaltou que o aumento dos casos de sofrimento mental entre servidores, o que exige políticas de prevenção, acolhimento e melhores condições de trabalho.

“Temos muitos casos que chegam no Sintergs. São muitos servidores com problemas e as causas são as mais variadas. O pior de tudo é que o servidor está desamparado. Ao mesmo tempo, para se ter uma ideia, o IPE Saúde, que é o recurso que o servidor tem, há uma dificuldade imensa de acessar psiquiatras. Já psicólogos não são oferecidos”, explicou Ana.

Já a diretora do Sintergs, Márcia Werklehr Paganato Lopes, fez um alerta contundente sobre o cenário enfrentado pelos servidores estaduais.

“O Sintergs vem desempenhando ações para pensar a saúde mental dos servidores associados. Atualmente, no RS, a saúde mental é um dos principais fatores de adoecimento, principalmente no serviço público. Clamamos que haja olhar efetivo de preocupação para o adoecimento psíquico dos servidores do Estado do RS. Sem servidores com suas capacidades plenas não há política pública. Estamos tendo uma enxurrada de desistência do serviço público. São inúmeros profissionais qualificados que abandonaram o serviço e a carreira no Estado e que fazem falta, pois não há reposição de servidor e a demanda só aumenta. Os servidores precisam de estrutura, de olhar de cuidado e de reposição de perdas salariais, que também afetam profundamente. Depois da pandemia e da enchente, os servidores estão muito pressionados e pouco valorizados. Temos colegas que chegam ao serviço completamente dopados, utilizando mais de dez medicações. Há colegas com depressão, distúrbios do sono e ansiedade. A terceirização também prejudica, pois não há política clara e ainda recai sobre os servidores a tarefa de treinar trabalhadores terceirizados”, destacou.

Pelotas

Em Pelotas, onde o encontro foi viabilizado pela Comissão da Pessoa com Deficiência (PCD) da Câmara de Vereadores, presidida pelo vereador Paulo Coitinho, em parceria com a comissão especial da ALRS, a atividade promoveu escuta da comunidade local, profissionais da área, gestores e usuários dos serviços, debatendo a estrutura da rede de atendimento, as demandas reprimidas e a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, acolhimento e tratamento.

Durante sua manifestação em Pelotas, a Representante Regional do Sintergs, Mara Fredes, reforçou a gravidade da situação enfrentada pelos trabalhadores.

“Importante enfatizar a importância de olhar para a saúde mental dos trabalhadores e buscar ambientes de trabalho mais acolhedores. Investigar as razões para que o mundo do trabalho venha causando tantas situações que compromete a saúde das pessoas, principalmente no serviço público, com adoecimento por ansiedade, depressão, gerado por excesso de tarefas, péssimas condições e locais de trabalho, falta de valorização salarial e de perspectiva de melhora e crescimento”, salientou Mara.

Lajeado

Em Lajeado, Martha Inês Grillo, Representante Regional do Sintergs na região, reforçou a preocupação com o interior do Estado e o impacto direto nas políticas públicas diante do crescente número de afastamentos, licenças e abandono da carreira.

“A preocupação do Sintergs está voltada para a saúde do trabalhador do serviço público e para o que tem levado à perda do desejo de seguir na carreira pública no RS. Há um adoecimento significativo devido à falta de perspectiva, desencantamento, pressão, assédio e falta de estrutura. Não há valorização do trabalho do servidor. Muitos estão abandonando. Há cobrança excessiva, sobrecarga, ‘uberização’, assédio e falta de profissionais, resultando em afastamentos, licenças e até abandono da carreira. Essa questão precisa de atenção urgente, pois, do contrário, as políticas públicas ficarão cada vez mais prejudicadas e até impossíveis de serem implantadas”, salientou.

As contribuições colhidas nas três audiências públicas deverão integrar o relatório final da comissão especial da ALRS, que tem prazo para concluir os trabalhos e apresentar diagnósticos e propostas de aprimoramento da legislação e das políticas de saúde mental no Rio Grande do Sul, com atenção especial à proteção dos trabalhadores que sustentam a execução das políticas públicas no Estado.

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