Futuro do Hospital Psiquiátrico São Pedro deverá ser debatido em audiência pública na ALRS

Futuro do Hospital Psiquiátrico São Pedro deverá ser debatido em audiência pública na ALRS

Uma audiência pública da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa será realizada nos próximos dias para debater a situação e o modelo de gestão do Hospital Psiquiátrico São Pedro (HPSP).

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (03/06), durante reunião da comissão que contou com a presença do Sintergs, de dezenas de servidores da instituição e de representantes de entidades ligadas à saúde pública e à defesa dos direitos humanos.

A definição da audiência ocorre em meio à crescente mobilização de trabalhadores e movimentos sociais contra a possibilidade de terceirização da gestão e das atividades do hospital. O Sintergs e os servidores de carreira posicionam-se de forma firmemente contrária à entrega da gestão a entes privados, defendendo o caráter estritamente público da assistência. Ao mesmo tempo, a mobilização reitera o compromisso histórico da categoria com as bases teóricas da Reforma Psiquiátrica (Lei Federal nº 10.216/2001), que preza pelo cuidado em liberdade, pela progressiva substituição do modelo asilar e pelo fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) reconhecendo que a internação psiauiátrica é um ponto de atenção em saúde mental mas não o único.

Durante o encontro, os representantes defenderam a valorização dos servidores e a preservação do patrimônio público do HPSP, adequando a estrutura existente às diretrizes desinstitucionalizadoras e antimanicomiais, sem retrocessos que fomentem a lógica do isolamento e sem a transfer^ncia da gestão do Hosiptal a terceiros.

O presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, deputado estadual Neri, o Carteiro (PSD), informou que também será encaminhado um pedido de informações ao Governo do Estado para esclarecer a existência e o conteúdo de processos administrativos relacionados ao futuro da gestão do hospital.

Mobilização

A mobilização em defesa do caráter público do São Pedro vem se intensificando nas últimas semanas. Na terça-feira (02/06), dirigentes sindicais e servidores realizaram um ato em frente à instituição, com bandeiras, faixas e um abraço simbólico ao hospital. A manifestação teve como objetivo denunciar os riscos da terceirização e chamar a atenção da sociedade para a importância de manter os serviços de saúde mental sob administração e execução direta do Estado.

Com mais de 140 anos de história, o complexo do Hospital Psiquiátrico São Pedro possui um importante papel na formação de profissionais e na pesquisa científica, contando atualmente com leitos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) voltados ao atendimento de diferentes públicos em momentos de crise e também um grande e complexo ambulatório de saúde mental que funciona no modelo de Rede Substitutiva.

Durante a reunião na Assembleia Legislativa, foram apresentados relatos sobre o sucateamento deliberado da estrutura, a defasagem salarial dos servidores e a falta de reposição de profissionais de carreira — fatores que sufocam o serviço público e abrem caminho para a falsa solução da contratualização privada. Também foram destacados os crescentes desafios de saúde mental no Estado, cuja resposta exige o fortalecimento da rede pública e de base comunitária, incluindo o atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), dependência química e prevenção ao suicídio.

A 2ª vice-presidente do Sintergs, Priscilla da Silva Lunardelli, reforçou a posição da entidade contrária à privatização da gestão e destacou o alinhamento com o modelo substitutivo. “Somos radicalmente contra a terceirização da gestão do serviço e, ao mesmo tempo, defensores da Reforma Psiquiátrica e de suas bases teóricas. A terceirização é apresentada como uma saída administrativa, mas os dados demonstram que ela precariza o trabalho e não gera economia. O São Pedro possui profissionais altamente qualificados e uma expertise pública que precisa ser valorizada para o fortalecimento da RAPS, e não entregue à lógica do lucro. O Sintergs seguirá mobilizado para defender a saúde mental pública e de base territorial”, afirmou.

Para o Sintergs, a discussão sobre o futuro do Hospital Psiquiátrico São Pedro envolve a preservação do patrimônio dos gaúchos e a garantia de que as diretrizes da Reforma Psiquiátrica sejam respeitadas pelo Poder Executivo.

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