Conferência estadual expõe desafios do envelhecimento no RS e reforça debate sobre direitos da população idosa
O envelhecimento da população gaúcha, a fragilidade das políticas públicas e a necessidade de ampliar a proteção social para pessoas idosas estiveram no centro dos debates da 7ª Conferência Estadual da Pessoa Idosa do Rio Grande do Sul, que reuniu representantes de mais de 200 municípios, entidades sociais, especialistas e movimentos ligados à defesa dos direitos humanos.
O Sintergs participou da conferência e integrou a organização dos “Anais da VII Conferência Estadual da Pessoa Idosa do Rio Grande do Sul”, documento que reúne diagnósticos, propostas e encaminhamentos construídos ao longo do processo de discussão realizado em todo o Estado. A 2ª Vice-presidente do sindicato, Priscilla da Silva Lunardelli, esteve entre os responsáveis pela organização do material final.
Com o tema “Envelhecimento Multicultural e Democracia: Urgência por Equidade, Direitos e Participação”, a conferência evidenciou um cenário marcado por desigualdades sociais, carência de estrutura pública e aumento da vulnerabilidade entre idosos gaúchos. Ao longo das etapas municipais e regionais, participantes relataram dificuldades de acesso a serviços de saúde, ausência de equipes especializadas, precarização das redes de atendimento e insuficiência de recursos públicos destinados às políticas para a população idosa.
Os debates também trouxeram dados que mostram como o envelhecimento no Brasil ocorre de forma desigual entre diferentes grupos sociais. Segundo informações apresentadas durante a conferência, as mulheres representam 55,7% da população idosa brasileira, enquanto os homens correspondem a 44,3%, conforme o Censo 2022.
Outro dado que chamou atenção foi a situação da população trans no país. Conforme apresentado no encontro, pessoas trans no Brasil possuem expectativa média de vida de apenas 35 anos, realidade que impede grande parte dessa população de alcançar a etapa do envelhecimento.
A conferência também destacou o crescimento da vulnerabilidade social entre idosos em situação de rua. Dados apresentados apontam que, em 2022, 23.693 pessoas idosas viviam nas ruas no Brasil, representando cerca de 10% da população em situação de rua no país.
O levantamento ainda revelou que quase metade das pessoas com deficiência no Brasil é formada por idosos. Segundo a PNAD Contínua de 2023, dos 18,6 milhões de brasileiros com deficiência, 47,2% são pessoas idosas.
Outro tema debatido foi o envelhecimento dentro do sistema prisional. Informações apresentadas durante a conferência indicam que, em 2023, a população idosa privada de liberdade chegou a 12.409 pessoas, o equivalente a 1,93% da população carcerária brasileira.
Para Priscilla Lunardelli, os dados reforçam a urgência de políticas públicas mais amplas e integradas para garantir dignidade no envelhecimento.
“Os debates mostraram que falar sobre envelhecimento hoje é falar também sobre desigualdade social, acesso a direitos, violência, abandono e exclusão. Precisamos enxergar a pessoa idosa de forma mais humana e compreender que existem múltiplas realidades de envelhecimento no Brasil”, afirmou.
Ao longo das discussões, participantes também apontaram falhas na fiscalização de instituições de acolhimento, dificuldades de acesso à rede pública de saúde e ausência de capacitação de profissionais que atuam diretamente com idosos.
Os Anais da conferência registram ainda propostas como fortalecimento dos Conselhos da Pessoa Idosa, ampliação dos Fundos da Pessoa Idosa, investimentos em educação continuada sobre envelhecimento, criação de políticas de cuidado integral e fortalecimento da rede pública de proteção social.
A participação do Sintergs no encontro ocorre em meio a uma agenda mais ampla de mobilização em defesa de aposentados e servidores públicos. Nesta semana, o sindicato também participou do ato “Revoga Já!”, realizado em frente ao Palácio Piratini, que reuniu aposentados, pensionistas e servidores estaduais contra o desconto previdenciário no Rio Grande do Sul.
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